Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali.
Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham.
Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
(Clarice Lispector)
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
"Olhando pela janela..."
"...Mas há uma fresta. Há uma mão, delicadamente apoiada nela. Há luz que dela se irradia para o rosto e lhe realça os contornos. Parece haver um sorriso, ainda que contido... Seria o sorriso infantil de quem está vislumbrando novas oportunidades no parque da vida? Poderia jurar que o que não está no quadro indica que estás na ponta de um pé, quem sabe com a outra perna flexionada para trás, em atitude de expectativa por novos horizontes.
Ainda não...mas já é capaz de iluminar o rosto e realçar o sorriso.
Ainda não...mas já capaz de mover o olhar e despertar palpitações que movem os pés na direção do novo.
Ainda não...mas pode-se participar da nova vida com as pontas dos dedos!
Ainda não...mas nas palavras de João Cabral de Melo Neto, "tão belo quanto um sim em uma sala negativa".
Uma fresta, para quem está pronto, é tudo que é necessário para iluminar a vida."
(Texto enviado pelo amigo Carlos Guilherme)
Ainda não...mas já é capaz de iluminar o rosto e realçar o sorriso.
Ainda não...mas já capaz de mover o olhar e despertar palpitações que movem os pés na direção do novo.
Ainda não...mas pode-se participar da nova vida com as pontas dos dedos!
Ainda não...mas nas palavras de João Cabral de Melo Neto, "tão belo quanto um sim em uma sala negativa".
Uma fresta, para quem está pronto, é tudo que é necessário para iluminar a vida."
(Texto enviado pelo amigo Carlos Guilherme)
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
"O menino-sorriso"
"Um dia a gente se conheceu. Os olhos viram e o coração sorriu.
Depois disso, vieram muitos outros "sorrisos" dos outros dias em que a gente se "viu" e se "falou" e "sorrimos" de novo.
Sim. Os olhos viram somente um dia, não mais do que uma vez. Mas, quem disse que o coração precisa ver pra sentir?
A gente vai continuar sorrindo.
E o que sinto não precisa e nem deve ter aspas, porque é real. Não existe só em um mundo virtual.
Tô aqui, de um jeito ou de outro.
500 Km, quem tá rindo?
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Esta distância não compete, nem impede o carinho e a amizade que você conquistou.
Fica com Deus, menino-sorriso. Sorria sempre."
(Sayuri)
Depois disso, vieram muitos outros "sorrisos" dos outros dias em que a gente se "viu" e se "falou" e "sorrimos" de novo.
Sim. Os olhos viram somente um dia, não mais do que uma vez. Mas, quem disse que o coração precisa ver pra sentir?
A gente vai continuar sorrindo.
E o que sinto não precisa e nem deve ter aspas, porque é real. Não existe só em um mundo virtual.
Tô aqui, de um jeito ou de outro.
500 Km, quem tá rindo?
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Esta distância não compete, nem impede o carinho e a amizade que você conquistou.
Fica com Deus, menino-sorriso. Sorria sempre."
(Sayuri)
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