sábado, 9 de outubro de 2010

Memórias de ontem e hoje.

Estava eu fazendo um backup(coisa raríssima...rs) no meu computador quando encontrei um texto bastante interessante que escrevi há 3 anos atrás.
Li e senti que de lá pra cá, estas linhas e tudo o que expus em cada uma delas ainda continua bem vivo dentro de mim. Ainda é minha verdade.

Kii bom!rs

Taí, pra quem quiser conhecer um pouco mais daquilo que pulsa no coração desta "japa-menina-mulher" em constante aprendizado.
Tropeço de vez em quando, embaralho as palavras, perco o sono, mas volto sempre para dentro de mim mesma e o que eu vejo? Aquela "menina-magrelinha-sonhadora- inocente" que às vezes tenta parecer forte, inabalável, decidida e esperta, mas que sempre terá a essência de um pequeno lírio. É isso.



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" Independente de religião, filosofia de vida, etc... eu sou alguém que sabe quem é, quem foi, quem gostaria de ser e quem deve ser.

Simplesmente porque escolhi ser alguém segundo o coração de Deus. Mas, confesso que hoje já não sou em muitos aspectos a mesma de alguns anos atrás, sem sombra de dúvidas.

Quero levar o amor que Ele cultivou em mim, em qualquer lugar, para qualquer criatura.
Sei que para muitos é muito mais cômodo e coerente seguirmos um roteiro criado por instituições religiosas onde expõem todos os "sim(s) e não(s)" de uma vida cristã.

Talvez até se acomodar em seu "núcleo crente"(habitat e meio social que julgam ser o ideal para um cristão) afastando de si tudo o que definem como "secular", ou seja, impróprio para "crentes".

Porém, a diferença crucial para Deus está entre "ser" ou "parecer" um cristão autêntico.

O segredo está na forma como você lida diariamente com todas as pessoas e situações que surgem em sua vida.

Quero estar com os rejeitados, os desamparados, os "leprosos de alma e espírito" dos nossos dias, e entre eles, fazer a diferença e levar o AMOR que Deus cultiva em mim.

Quero não questionar o porquê de certas situações e lugares onde Deus me coloca.

O que importa pra mim não é o lugar onde estou, mas sim quem está comigo!

O próprio Jesus, em sua passagem por esta terra, esteve sempre entre os mais humildes, rejeitados e errantes.

Trouxe transformação. Luz.

Ele veio para eles e por eles. Nós.

O caráter cristão vai muito além dos cultos de domingo, das frases e chavões pentecostais, do fogo, chuva, rio, ou seja lá qual outra "palavra-chave" de hinos atuais..."

Sayuri - 28/10/07

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Por não estarem distraídos...

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali.
Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham.
Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

(Clarice Lispector)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

"Olhando pela janela..."

"...Mas há uma fresta. Há uma mão, delicadamente apoiada nela. Há luz que dela se irradia para o rosto e lhe realça os contornos. Parece haver um sorriso, ainda que contido... Seria o sorriso infantil de quem está vislumbrando novas oportunidades no parque da vida? Poderia jurar que o que não está no quadro indica que estás na ponta de um pé, quem sabe com a outra perna flexionada para trás, em atitude de expectativa por novos horizontes.

Ainda não...mas já é capaz de iluminar o rosto e realçar o sorriso.
Ainda não...mas já capaz de mover o olhar e despertar palpitações que movem os pés na direção do novo.
Ainda não...mas pode-se participar da nova vida com as pontas dos dedos!
Ainda não...mas nas palavras de João Cabral de Melo Neto, "tão belo quanto um sim em uma sala negativa".

Uma fresta, para quem está pronto, é tudo que é necessário para iluminar a vida."

(Texto enviado pelo amigo Carlos Guilherme)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"O menino-sorriso"

"Um dia a gente se conheceu. Os olhos viram e o coração sorriu.

Depois disso, vieram muitos outros "sorrisos" dos outros dias em que a gente se "viu" e se "falou" e "sorrimos" de novo.

Sim. Os olhos viram somente um dia, não mais do que uma vez. Mas, quem disse que o coração precisa ver pra sentir?

A gente vai continuar sorrindo.

E o que sinto não precisa e nem deve ter aspas, porque é real. Não existe só em um mundo virtual.

Tô aqui, de um jeito ou de outro.

500 Km, quem tá rindo?

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Esta distância não compete, nem impede o carinho e a amizade que você conquistou.

Fica com Deus, menino-sorriso. Sorria sempre."

(Sayuri)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

"DIÁRIO DE UM MÚSICO."

"Tempo nada mais é do que uma questão de prioridades
é triste ver o sonho e o talento dessas pessoas perdendo espaço nessa lista
talentos oprimidos pelo mundo e atrofiados pelo tempo
digo isso não só por eles mas por também ter sido vítima dessa mesma sociedade opressora
que nos ensina que pensar diferente é loucura
que acreditar em nós mesmos é loucura
enquanto aos poucos vamos aceitando a loucura que nos é imposta
essa sim uma loucura
que deixa de ser loucura pelo simples fato de ser compartilhada
nos contentamos com a ideia de que é arriscado lutar pelo o que nos faz bem
e assim seguimos o caminho que nos é indicado
sem medir o fato de que o que nos faz bem também nos leva a fazer o bem
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fui muitas coisas antes de ter coragem de ser músico
hoje percebo o quanto fui feliz na minha escolha
o quanto aprendi e o quanto desenvolvi o potencial do artista antes atrofiado
o quanto é gratificante fazer o que gosto
mais ainda ver o quanto isso reflete positivamente na vida de outras pessoas
talvez nem todos tenham o talento para encontrar seus verdadeiros talentos
talvez só lhes falte incentivo."
(Tiago Iorc)